Cuidado com os Custos!!!
O conhecimento e a correta gestão dos custos que incorrem em
uma atividade ou produto é essencial para o sucesso de um negócio. Em um
mercado cada vez mais competitivo e cuja atualização é constante uma boa
administração de empresa exige de seus gestores uma visão multidisciplinar.
A partir da abertura econômica iniciada nos anos de 1990 e a
entrada de cada vez mais produtos estrangeiros no mercado nacional exigiram dos
administradores e gestores brasileiros uma expertise maior, na gestão dos
custos gerais e operacionais para manter um padrão próximo dos novos entrantes,
ou seja, aqueles novos concorrentes que vinham de fora.
A partir de então, a gestão e análise dos custos passou a
ser levada mais a sério pelas empresas, no Brasil.
A contabilidade de Custos é fundamental no Planejamento e no
Controle das atividades gerenciais da empresa. As informações geradas por este
departamento influenciam demasiadamente em várias etapas das atividades da
companhia, como a formação do preço, o lançamento e a manutenção de um produto
no mercado e a percepção do lucro.
É importante notar que há diferentes conceitos ao qual chamamos de lucro. Há diferenças conceituais entre o lucro contábil, o lucro fiscal, o lucro gerencial etc. Da mesma forma o lucro da contabilidade geral e a da contabilidade de custos apresentam diferenças substanciais, as quais o gestor não pode ignorar.
O lucro que a empresa apresenta em suas demonstrações contábeis pode não significar que, necessariamente, os sócios e acionistas estão levando dividendos para casa e nem ao menos que a empresa esteja passando por um bom momento financeiro. Muitas vezes o lucro pode não ser acompanhado de superávit financeiro e pode dar uma falsa impressão da realidade operacional da empresa.
Nesse contesto, conhecer algumas formas de se apurar os custos é de suma importância para uma boa administração empresarial.
Terminologia:
É preciso, em primeiro lugar, diferenciar alguns conceitos
que podem ser confundidos, dentro da análise dos custos.
Gasto, Investimento, Custo, Despesa, Perda e Desembolso
devem ser interpretados de forma diferenciada, quando tratamos de custos.
O Gasto é um esforço realizado pela entidade para a obtenção
de um bem ou serviço e se concretiza quando bens ou serviços são
adquiridos/prestados e passam a ser propriedade da empresa.
Investimento é um gasto com bem ou serviço em função da sua
vida útil ou de benefícios que serão percebidos em períodos futuros.
O Custo, propriamente dito é um gasto que é usado para a
execução de uma atividade da empresa, como fabricar ou adquirir uma mercadoria.
Os custos são gastos que impactam diretamente no resultado da empresa
A Despesa é um gasto realizado com a finalidade de obtenção
de receitas. As Despesas são gastos impactam indiretamente no resultado da
empresa.
Já a Perda é um gasto involuntário decorrente de fatores
fortuitos, externos ou da atividade normal da empresa.
O conceito de Desembolso é simplesmente a saída de caixa da
empresa para o pagamento de algum gasto.
Metodologia de Custeio
A Contabilidade identificamos três métodos de alocação de
custos, chamados de métodos de custeio.
1 – Custeio por Absorção:
Este método é legalmente exigido pela legislação societária,
no Brasil e consiste em alocar aos produtos e serviços todos os custos
incorridos, sejam eles diretos ou indiretos.
Neste método não há preocupação em classificar custos como
fixos ou variáveis, pois todos os custos serão alocados a todos os produtos por
algum critério de rateio a ser definido pela administração, como horas
trabalhadas. A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) apresentada pelo
Método de custeio por absorção é exigida pela lei das sociedades anônimas.
2 – Custeio Variável ou Direto:
Embora não seja exigido pela legislação, o método de custeio
variável é importante para gerar informações específicas de cada produto
oferecido pela empresa.
Nele, os custos são divididos em fixos e variáveis. Os
variáveis são os que variam conforme a produção varia. Aumentam, quando a
produção aumenta e reduzem, quando a produção diminui.
Já os fixos não variam conforme a produção e se mantêm
constantes, a menos que a capacidade produtiva da empresa chegue ao seu limite.
Estes são rateados de forma equitativa entre os produtos da empresa.
Aqui se chega ao conceito de margem de contribuição. Considerando
que cada produto tem seus custos variáveis diretamente alocados a eles, têm
também custos fixos, indiretos que serão rateados. A margem de contribuição é a
diferença entre as receitas obtidas com a venda dos produtos, subtraídos os
custos variáveis diretos. Essa diferença será a contribuição que o produto vai
dar para cobrir os custos fixos da companhia.
É sempre bom que essa analise seja criteriosa e avalie toda
a produção e o custeio da empresa. Muitas vezes, um produto pode parecer deficitário,
mas sua venda é importante para gerar uma margem de contribuição que cubra os
fixos, da companhia.
3 - Custeio por Atividade ABC:
Metodologia de custeio que é chamada de Activity Based
Costing (ABC). Ela analise o comportamento dos custos por atividade
relacionando a elas o consumo dos recursos. O objetivo principal do ABC é
proporcionar uma alocação racional dos gastos indiretos aos bens e serviços
produzidos pela entidade.
Este sistema preconiza que quem consome os recursos são as
atividades realizadas na empresa e não os produtos em si. Por isso, são elas
que devem ser custeadas e a elas alocados os custos e não aos produtos, podendo
elas adicionar valor ou não, aos produtos.
Este método é mais minucioso e considerado complexo, sendo
às vezes visto como inviável, para pequenas companhias.
Em geral, usa-se o sistema de custeio por absorção para as
demonstrações contábeis e o sistema de custeio variável ou direto para a gestão
gerencial interna.
Obrigado por ler até aqui. Espero ter ajudado a entender
melhor a gestão de custos de uma empresa.
Referências bibliográficas: pinto, Alfredo Augusto Gonçalves
Gestão de Custos / Alfredo Augusto Gonçalves Pinto, André
Luís Fernandes Limeira, Carlos Alberto dos Santos Silva, Fabiano Simões Coelho
– 2 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2008.



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